Imagem capa - Qual a memória da infância você quer deixar para seus filhos? por Thiago Tomazi
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Qual a memória da infância você quer deixar para seus filhos?

Quando pensei em escrever um post sobre fotografia de família, foi justamente a pergunta do título que me veio à mente. E a resposta, penso que esteja intimamente ligada em como pensamos a fotografia de nossa família. E não estou me referindo à fotografia protocolar que fazemos sempre em toda festa de final de ano ou todo aniversário, mas sim aquela fotografia que normalmente as pessoas não fazem, que é aquela que busca enaltecer a essência de nossos filhos e netos, extraída dos momentos menos esperados e que, após capturados, percebemos tratar-se dos mais emocionantes.


Esses são os momentos que normalmente as pessoas não estão com uma câmera ou com o celular para fotografar e sequer se dão conta de quando eles passam diante de seus olhos, justamente por durarem centésimos ou milésimos de segundo.


Aí você pode estar se perguntando: certo, mas como faço para perceber esses momentos, uma vez que são tão rápidos? 


E a minha resposta a essa questão, é a primeira, de um total de 5 dicas rápidas, que venho apresentar nesse post, para ajudar você a perceber melhor esses momentos e ver de que forma as fotografias de sua família podem ter mais essência, vida e atemporalidade, bem como deixar um verdadeiro legado, em imagens, da personalidade de seus filhos e netos.




1) Antecipação: esse é uma dica primordial quando buscamos momentos que, em fotografia chamamos de "momento decisivo", ou seja, aquele momento onde todos os elementos estão em sintonia, aquele momento que nos faz parar para olhar uma foto por mais de 10 segundos e ficamos tentando reviver ou recriar o mesmo instante em nossa mente. Aquele momento "UAAAAL".

Mas para chegar a esse ponto é necessário antecipação. Ou seja, se seu filho ou filha está brincando com qualquer coisa, tente perceber, pelas ações dele, o que poderá acontecer na sequência a fim de que você possa estar pronto no instante exato. 

O mesmo acontece se os irmãos estão brigando ou discutindo por alguma coisa. A discussão faz parte do momento e, por consequência, deve constar da memória fotográfica.

Por exemplo, se ele (a) estiver empilhando blocos, é absolutamente certo que a grande graça, para ele, dessa brincadeira, é dar um "tapa" na torre recém construída, para ver todos os blocos "voarem" para todos os lados. Nesse caso, observe com curiosidade a construção dos blocos, com a câmera ou celular em mãos, pois isso irá ajudar não só em sua antecipação, mas também na conexão com a criança. E no momento certo, estará pronto (a) para fotografar. 

Criança é assim e manifesta sua criatividade no caos. Ela te avisa quando vai pegar a prancha. Basta que você esteja na "crista da onda" quando elas passarem.


2) Desapague-se do "olhe aqui": Não preocupe-se em ter seus filhos olhando para a câmera a todo momento. Crianças possuem um brilho e uma espontaneidade naturais e isso precisa ser explorado se desejamos fotografias mais autênticas. 

O sorriso genuíno de uma criança aflora quando ela está feliz, brincando e fazendo as coisas que mais ama, que é totalmente minado quando pedimos para ela parar de brincar e a fazemos ouvir frases do tipo: - venha aqui tirar uma foto com a mamãe, ou, venha aqui tirar uma foto com a vovó.

As fotos tradicionais são importantes sim, mas até para essas fotos existem técnicas para extrair um sorriso lindo e expressivo de qualquer criança.

De qualquer forma, aqui não estamos falando das fotografias protocolares, mas sim daquelas que queremos que eles vejam no futuro e tenham uma memória linda e de valor incalculável, de como eram quando crianças. 

Por isso, deixe que as crianças sejam elas mesmas, estando você em seu dia-a-dia com os pequenos, ou estando em um ensaio fotográfico da família.

Valorize o fotógrafo que visualiza e busca essa forma de fotografar e se surpreenderá com as expressões lindas e emocionantes que "saltará" de cada fotografia.


3) Menos estética e mais poética: Nesse momento você deve estar pensando: mas como assim "menos estética"? Calma, não se preocupe. Obviamente toda fotografia de família deve vir amparada de uma estética primorosa, mas isso não significa que ela deva ser preconizada em detrimento dos momentos.

Ou seja, se possível, o ideal é aliar tanto a estética fotográfica (que se consegue buscando fundos mais limpos, sem exagero de distrações) com o momento e as conexões. Porém, se precisarmos escolher um caminho, jamais devemos deixar de capturar um grande momento como, por exemplo, eventual brincadeira entre irmãos, pelo fato de tudo ao redor estar uma "bagunça". Aliás, tudo faz parte da história, inclusive a bagunça do local que serve de brincadeira para as crianças.

Devemos buscar sempre a mais pura autenticidade e verdade dos momentos de interação de nossa família, pois somente assim conseguiremos fotografias ainda mais memoráveis que as que estamos acostumados a ver diariamente. 


4) Busque locações menos óbvias: Eu acredito que grande parte das pessoas, incluindo um bom número de fotógrafos, quando pensam em um local para fazer um ensaio de família, ou simplesmente levar a família para um passeio e, na oportunidade, fazer algumas fotos, já mapeiam mentalmente uma série de parques, bosques, praças e/ou outros pontos turísticos da cidade que são considerados "panos de fundo ideais" para uma série de fotografias. 

Nada contra os parques. Eu os adoro. Tanto que já fotografei em vários lugares considerados clichês. Mas o que devemos sempre nos perguntar é: tal lugar é legal para fazer as fotos porque diz muito sobre o que sou e penso, ou apenas legal porque já vi uma imensidão de fotos de amigos nesse local?

Aí é que está o problema. Lembre-se que desde a primeira linha desse post, estamos tratando da fotografia diferente, que foge do comum e busca a identidade de cada família e cada pessoa. Se você e sua família têm uma história com o parque X ou com o bosque Y, perfeito, conte essa história, mas jamais deixe de explorar novas locações, que muitas vezes poderia ter mais identidade com você do que pode imaginar. 

Muitas vezes o parquinho que seu filho brinca com os amiguinhos na esquina de casa, ou o próprio playground do condomínio, com gangorras enferrujadas e algumas balanças faltando, pode trazer muito mais história e essência, que o grande parque da cidade.


5) Estimule conexões verdadeiras: Quando paramos em uma fotografia e nos permitimos ficar por mais de 30 segundos olhando, quiçá até mais tempo, com certeza isso se deve ao fato de que essa imagem traz uma conexão muito forte e verdadeira, a ponto de criar uma série de perguntas quando olhamos. Uma boa fotografia, sempre cria mais perguntas do que gera respostas. E se isso ocorre, com certeza estamos diante de algo inusitado e fora do comum.

Para que se consiga atingir esse resultado, além de atentar para a dica nº 2 (desapegue-se do "olhe aqui"), uma vez que esse comando acaba quebrando toda e qualquer forma de conexão, como também inibindo a espontaneidade das crianças, deve-se, também, provocar o acontecimento dos momentos. Por exemplo, lance mão de alguns comandos como: "faz uma coceguinha", "segura na mão e gira bem rápido", "vamos brincar de pega-pega", etc. 

Obviamente que esses são apenas alguns exemplos, dos muitos que você pode imaginar para estimular momentos e conexões verdadeiras. As crianças sempre vão interpretar isso como uma brincadeira e vão mostrar-se como elas realmente são. Assim conseguirá imagens com muito mais força e essência. 



Prometi que as dicas seriam rápidas, mas alguns temas pedem que dediquemos um pouco mais de tempo para que sejam abordados, ainda mais quando estamos tratando da confecção de um registro de memórias, em imagens, daqueles que mais amamos.


Fico muito feliz por você ter lido cada uma dessas dicas e por ter chegado até aqui, o que só vem demonstrar que você também pensa de uma forma diferente no que se refere a fotografia de família e, tenho certeza, já imaginou a sua família e filhos fotografados dessa forma.


Por isso, pergunto a você. Não seria incrível você ter um livro completo com a sua família fotografada dessa forma? O que você achou das dicas? Se você tivesse um livro assim, documentando como você era quando criança, a relação com seus pais, os carinhos, os afetos, inclusive os "puxões de orelha" (sim, eles também fazem parte da história) e as brincadeiras, como você se sentiria?


Sinta-se à vontade para comentar abaixo. Quero muito saber o que você pensa.


E se você curtiu essa idéia e quer sua família fotografada dessa forma, tenho uma novidade incrível! Estou renovando meu portfólio para 2019 e quero selecionar algumas famílias para presentear com uma cobertura fotográfica documental, onde você ganhará a melhor foto (à sua escolha), impressa como presente. Está a fim? Clique aqui e deixe seus dados que entrarei em contato.


Afinal, não é apenas sobre fotografar, mas sim sobre inspirar o mundo com a sua história. Aguardo a sua!


Grande abraço!!!